segunda-feira, 31 de agosto de 2009





Porto Alegre, 31 de Agosto de 2009. acesse www.cressrs.org.br




























Novo abaixo-assinado virtual

A perspectiva de publicação da normativa que “veda a associação de práticas terapêuticas ou clínicas ao Serviço Social/não reconhecimento de tais práticas como sendo Serviço Social” está provocando debates e polêmicas junto à categoria dos assistentes sociais. Neste contexto, um grupo de profissionais está se mobilizando para problematizar as implicações de tal medida para a formação e o exercício profissional e socializar suas reflexões através de uma “Carta aos Assistentes Sociais”.

Acesse o link abaixo para ler a carta e, se desejar, subscrevê-la.

www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/4909

Sua opinião pode ser expressa ao subscrever o documento ou ainda pelo Fale Conosco do site.

Leia este e outros documentos sobre o assunto no site do CRESS/RS.

domingo, 30 de agosto de 2009

38º ENCONTRO NACIONAL CFESS/CRESS

ESTÁ CHEGANDO A HORA DAS GRANDES DECISÕES!

Vai se aproximando o mês de setembro e cresce a expectativa para o maior encontro do Conjunto CFESS/CRESS. O Encontro Nacional reúne representantes do CFESS e de CRESS de todo o país para debate e deliberações de temas de grande importância para o serviço social.

Nesta 38ª edição, que acontecerá em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, entre os dias 6 e 9 de setembro, serão aproximadamente 200 delegadas/os com direito a voz e voto em assuntos de áreas como formação profissional, seguridade social, relações internacionais, ética e direitos humanos, fiscalização profissional e comunicação. Ainda haverá a participação de 40 observadoras/es e 30 convidadas/os.

Como desdobramento do tema das comemorações da Semana da/o Assistente Social, o foco do Encontro será: Socializar Riqueza para Romper Desigualdade: mediações e desafios do Projeto Ético Político Profissional.

Leia a matéria completa

Confira aqui a programação do 38º Encontro Nacional

Veja o cartaz do 38º Encontro Nacional CFESS/CRESS

Conselho Federal de Serviço Social - CFESS
Gestão Atitude Crítica para Avançar na Luta - 2008-2011
Comissão de Comunicação
Bruno Costa e Silva - Assessor de Comunicação/CFESS
www.cfess.org.br

----- Original Message -----
From: SINDASPE
Sent: Wednesday, August 26, 2009 11:59 AM
Subject: As. Ss. Terapeutas e o III CONFENAS.


Recife, 26.08.09

Olá, colegas da FENAS e demais filiad@s!

Queremos aqui abordar duas questões de relevância incontestes: A “cassa” aos/as postos de trabalho de As. Ss. Terapeutas Familiares promovida pelo CFESS e o imperativo na divulgação do no novo local do III CONFENAS (Congresso da Federação Nacional dos Assistentes Sociais)

Sobre o primeiro ponto: Estamos bastante preocupadas com a grave situação que vivenciam profissionais Assistentes Sociais Terapeutas Familiares cuja postura antidemocrática do nosso Conselho Federal aponta para a extinção da atuação. Ante esse absurdo perpetrado por Assistentes Sociais contra Assistentes Sociais, agrava-se que a questão será definida no próximo Encontro do CFESS / CRESS em setembro próximo na Cidade de Campo Grande / MT.

Inclusive queremos saber qual a ação da FENAS sobre a questão para podermos dar visibilidade a categoria aqui em PE, onde nosso Sindicato está procurando divulgar o assunto.

Tão grave está a situação de As. Ss. Terapeutas Familiares, que solicito constar esta discussão na programação de nosso Congresso em novembro próximo, pois dentre outras coisas trata-se sobre a redução de postos de trabalho, para falarmos o mínimo...

Segundo ponto: E por falar no III CONFENAS? quando a FENAS divulgará a transferência do evento para Brasília?? Já estamos no final de agosto e tem gente achando que o evento ainda será aqui em Pernambuco! Ontem recebemos um e-mail que não está abrindo mas que provavelmente deve conter alguma coisa sobre o evento. Solicitamos a gentileza do reenvio assim como o da resolução que trata sobre o mesmo.

Nossa preocupação não é tanto pela programação quanto pelo fato, muito significativo, da alteração do local do evento que passa de uma região para outra, pois como é bem sabido por tod@s nós Assistentes Sociais (As. Ss)AINDA não temos recursos financeiros suficientes que nos permita prescindir de uma longa articulação (pra não dizer “ralação”) a fim de garantir uma viagem como essa, independentemente de onde acontecerá, para pelo menos uma pessoa por Sindicato.

Com o aumento do numero de Sindicatos reativados em todo o Brasil, NÓS (Sindicatos e Federação)TEREMOS A DURA MISSÃO DE FAZER DESSE EVENTO O MAIS REPRESENTATIVO DE TODOS OS ANTERIORES.

Recebam nosso forte abraço, contem conosco na divulgação, e nos encontramos em Brasília.

Zenilda Lima - Nadja da Silva - Jovelina Souza - Silvia Silva.
SINDASPE

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Seccional de São José dos Campos

CONVIDA PARA O SEMINÁRIO
FAMÍLIA: CONCEPÇÕES, POLÍTICAS PÚBLICAS E PRÁTICA PROFISSIONAL

11 de Setembro – sexta-feira

Plenário da Câmara Municipal de São José dos Campos
Rua Desembargador Francisco Murilo Pinto, 33 – Vila Santa Luzia

PROGRAMAÇÃO:
8h30 – Credenciamento
9h – Abertura
9h15 – Expositoras

Regina Célia Tamaso Mioto - Assistente Social, Professora do Departamento de Serviço Social da Universidade Federal de Santa Catarina e pesquisadora na área de família e proteção social
Maria Regina de Ávila Moreira - Assistente Social, Professora do Departamento de Serviço Social da Universidade Federal do Rio Grande do Norte

10h45 – Intervalo
11h – Debate
12h30 – Encerramento
VAGAS LIMITADAS

Evento Gratuito
É necessária prévia inscrição por telefone (12) 3945-0011 ou por e-mail sjcampos@cress-sp.org.br (informar no e-mail nome completo, número do CRESS ou estudante)

CONSELHO REGIONAL DE SERVIÇO SOCIAL - CRESS 9ª REGIÃO/SP – SECCIONAL VALE DO PARAÍBA
Rua Luiz Pasteur, 1040 - Monte Castelo
Cep: 12215-140 - São José dos Campos/SP
TEL/FAX: (12) 3945 0011
e-mail: sjcampos@cress-sp.org.br
Site: www.cress-sp.org.br
Horário de Atendimento: 2ª a 6ª feira das 12h30 às 18h30

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Manifestação sobre a minuta da Resolução

Prezada Eleni e Colegas:

Gostaria de parabenizar o CRESS-BA pelo alto nível do debate.

Lamento não ter estado com vocês nesse evento, por estar distante de Salvador. Envio-lhes a minha breve contribuição para a próxima reunião e gostaria que todos vocês tomassem conhecimento e opinassem.

Seria interessante pesquisarmos inicialmente o que é o Serviço Social para o conjunto CRESS/CFESS (conceito) e os conhecimentos necessários ao fazer profissional do Assistente Social no atendimento direto ao usuário,que se apresenta à nossa frente nas instituições de saúde, saúde mental, dependência química, empresa, assistência social...

Desde 2000 quando iniciamos reuniões nesse mesmo CRESS para discutirmos as nossas dificuldades práticas do dia a dia justamente pela falta de apoio do nosso Conselho de Classe, temos pesquisado na literatura e em nenhum momento a clínica esteve DIVERGENTE do Serviço Social.

Finalmente gostaria de saber o que é Serviço Social enquanto conceito para o conjunto CRESS/CFESS, pois só tenho ouvido dos nossos Colegas que estão à frente das Entidades Representativas "isso não é Serviço Social", sim ,mas finalmente o que é o Serviço Social?O que faz o Assistente Social?

Nós temos como comprovar que o fazer do Assistente Social no atendimento a indivíduos (sujeitos sociais), grupos, famílias e casais carece de conhecimentos complexos, que a graduação generalista não oferece a nenhum profissional.

Todos nós Assistentes Socias compartilhamos durante as nossas longas formações clínicas com Colegas Médicos e Psicólogos dentre outros Profissionais, que também necessitam desses conhecimentos e investem para a legitimação das suas práticas.

Reenvio a conhecida DEFINIÇÃO MUNDIAL DE SERVIÇO SOCIAL pela Federação Internacional de Assistentes Sociais, que poderia estar para o Serviço Social Brasileiro em um patamar equivalente ao da OMS para o Ministério da Saúde Do Brasil? Penso que sim.

Finalizo afirmando que não encontrei nenhuma prova que me fizesse recuar da minha convicção de que o Serviço Social tem afinidade com as Práticas Terapêuticas onde estivemos na dianteira historicamente e continuamos nos aperfeiçoando na referida área até os dias de hoje.

Abraços para todos.

Sonia

Definição Mundial de Serviço Social (portuguese version)


O exercício da profissão de assistente social ou trabalhador social promove a mudança social, a resolução de problemas no contexto das relações humanas e a capacidade e empenhamento das pessoas na melhoria do "bem – estar". Aplicando teorias de comportamento humano e dos sistemas sociais, o trabalho social focaliza a sua intervenção no relacionamento das pessoas com o meio que as rodeia. Os princípios de direitos humanos e justiça social são elementos fundamentais para o trabalho social.


COMENTÁRIO.


O Trabalho Social, nas suas diversas vertentes, abrange as múltiplas e complexas interrelações que se estabelecem entre as pessoas e o meio que as envolve. A sua missão é ajudar as pessoas a desenvolverem todas as suas potencialidades, a enriquecerem as suas vidas e a prevenir as disfunções. Desta forma, os profissionais do trabalho social são agentes de mudança na sociedade e também na vida dos indivíduos, família e comunidades a quem o seu trabalho se dirige. Ao trabalho social está subjacente um conjunto articulado de valores, de teorias e de práticas.


VALORES


O trabalho social desenvolve-se a partir dos ideias de humanismo e democracia e os seus valores radicam no respeito pela Igualdade, valor e dignidade de todos.
Desde o seu inicio, há um século atrás, o trabalho social centrou a sua acção na resposta às necessidades das pessoas, bem como o desenvolvimento das capacidades do ser humano. Os direitos humanos e a justiça social motivam e legitimam a sua acção. Solidariamente com os mais desfavorecidos visa mitigar a pobreza e liberar as pessoas vulneráveis e oprimidas promovendo a sua inclusão social. Os valores subjacentes ao trabalho social constam de códigos de ética da profissão a nível nacional e internacional.


TEORIA
A metodologia do trabalho social apoia-se num conjunto de conhecimentos empíricos e resultantes de investigação e de avaliação de experiências praticas, incluindo conhecimentos específicos, inerentes a determinantes contextos locais. O trabalho social tem em conta a complexidade das interacções entre os seres humanos e o meio que os rodeia e a capacidade destes apesar de afectados por isso, de estarem preparadas para as modificarem incluindo os factores de âmbito bio- psicosocial. O exercício desta profíssão apoia-se em teorias de desenvolvimento de comportamento humano e ainda de sistemas sociais para analisar situações complexas e proporcionar transformações a nível individual, organizacional, social e cultural.


PRÁTICA
O trabalho social enfrenta as barreiras, desigualdades e injustiças existentes na sociedade. Actua em situações de crise e de emergência, mas também dá resposta aos problemas de natureza pessoal e social do dia a dia. Este tipo de trabalho utiliza uma variedade de práticas, técnicas e acções em consonância com a abordagem holística (integral) do ser humano e do ambiente que o rodeia. A variedade de intervenções do trabalho social passa desde processos de natureza psicosocial focalizados a nível individual até intervenções relacionadas com a política social planeamento social e desenvolvimento social. As intervenções integram aconselhamento , acompanhamento de casos, trabalho de grupo, trabalho social de cariz pedagógico, tratamento e terapia familiares, bem como ajudar as pessoas a obter os bens e serviços disponà ­veis na comunidade. A sua intervenção inclui ainda a gestão de organismos, de serviços comunitários e envolvimento em acções político-sociais para influenciar a política social e o desenvolvimento económico.

A intervenção holística do trabalho social é universal, mas as prioridades no seu exercício variam de país para país e de tempos a tempos, conforme as condições culturais, históricas e sócio – económicas existentes.

* Esta definição internacional de professão de Serviço Social substitui a definicão da FITS/IFSW adotada em 1982. Entende-se que oServiço Social no século XXI deva ser dinâmico e em constante evolução, portanto nenhuma definição deverá ser considerada exaustiva.
Aprovado pela Assembléia da FITS/IFSW Montreal, Canadá em Julho de 2000.


Fonte:www.ifsw.org



--

"Para você ter uma idéia, na nossa rotina clínica nós atendemos 40 mulheres grávidas por dia, nós devemos lidar com todos os problemas associados com pobreza: falta de moradia, fome, violência doméstica, abuso de substâncias, tensão de família, parto de natimorto, HIV, depressão, e daí por diante...
Como seria possível na face da terra nós Assistentes Sociais oferecermos os nossos cuidados a tal população se nós não tivéssemos os conhecimentos obtidos através de uma formação clínica extensa? Eu lhe digo que seria impossível oferecer um trabalho de qualidade, na melhor das hipóteses um trabalho improvisado e superficial.
...Se a profissão de Serviço Social não pode ser inclusiva, então que profissão poderia ser?
A profissão de Serviço Social deve oferecer "uma tenda grande", que possa acomodar todos nós que desejamos aliviar sofrimento do ser humano”.

William S. Meyer,MSW ,LCSW.
Board Certified Diplomate.
Clinical Social Worker.
Department of Clinical Social Work.
Duke Medicine.



Sonia G. M. Seixas.
Psicanalista, Membro Efetivo do Círculo Psicanalítico da Bahia, CBP, IFPS.
Link: http://www.cbp.org.br/
Assistente Social Psiquiátrica, CRESS/5ª 965.
Membro Pleno da American Association for Psychoanalysis in Clinical Social Work.
Link: http://www.aapcsw.org/

sábado, 22 de agosto de 2009

NOTÍCIAS DO DEBATE EM SALVADOR,

PARABÉNS AO CRESS -BA POR TER POSSIBILITADO O DEBATE!!!


Pessoal,
ontem a noite foi o debate da categoria bahiana em relação as Práticas Terapêutica.

Inicialmente quero parabenizar o CRESS pelo alto nível do debate. Estavam presentes na mesa: Eleni representando o CRESS que muito eticamente apenas conduziu o processo, sem emitir opinião, Marcos Vinícius - Psicólogo que por sinal deu um show em nossa defesa, Margarida Rego que substituiu Marita defendendo os Assistentes Sociais Clínicos e Bete Borges defendendo a resolução do CFESS.

Marcos Vínicius falou entre muitas coisas do cuidado que a categoria deve ter para que a resolução não desqualifique o Assistente Social nas equipes de trabalho e deu como exemplo o CAPS onde nós podemos ser excluidos por conta da resolução vetar a prática clínica. Ele começou fazendo uma diferenciação em clínica e práticas terapêuticas, mostrando que a clínica é um método que é utilizado por todas as profissões principalmente quando tra b alhamos com a clínica amplicada e que a terapia é uma técnica, uma ferramenta. Que a proibição do CFESS pode criar limitações na profissão, cerceando o fazer profissional e congelando a profissão.


Disse que se essa resolução for aprovada os psicólogos vão adorar, pq nós deixaremos o campo pra eles.......
No final dele disse que o CFESS antes de aprovar a resolução deve ampliar o debate e encontrar formas de contemplar o fazer dos assistentes sociais clínicos. Que nenhum profissional sai da graduação em condições de clinicar e que são as especializações que dão esse respaldo ao profissional.

Margarida falou da sua experiência e de tantos assistentes sociais, principalmente terapêutas de família que já exercem essa prática e que a resolução não contempla esses profissionais mas está voltada só pra o curso de graduação que realmente não dá respaldo para a clínica, como nenhuma outra dá.

Beth fez a def essa da resolução, mas de forma muito tranquila, sem desqualificar nosso fazer profissional, apenas enfatizando que o que fazemos não é Serviço Social.



Depois das falas,foi aberto o debate que foi bastante dividido em termos de apoio e objeção a resolução. Os pontos mais questionados da resolução foram os ítens 2 e 5. Estavam presentes uma média de 50 pessoas entre profissionais e estudantes de S. Social.

Como o debate começou as 19:00 e às 22:00 ainda não tinha terminado, e a plateia já estava bastante esvaziada, foi proposto um outro debate para o dia 01.09 às 18:30.

Senti falta dos nosso colegas do grupo. Só estavam presentes, eu, Virgínia e Patrícia. Se estava mais alguém que não conheço pessoalmente, me desculpe por não reconhecer. Sabemos que SÃ?nia Seixas estava viajando por isso não estava presente.

Dia 01.09 infelizmente, não poderei estar presente pq estarei viajando a trabalho. Mas inclusiv e foi so licitado por Eleni que quem não puder estar presente e queira contribuir com sugestões mande por e-mail. E quem estiver presente leve por escrito as contribuições para facilitar o processo.



Bem, que eu me lembre foi isso. Talvez Virgínia e Patrícia possam complementar o que coloquei. Não encaminhei antes o relato pq meu computador deu tilte ontem, mas estava ansiosa para repassar pra vocês esse relato.

Bjs,
Sandla


Sandla Wilma
Assistente Social - Psicodramatista - Gerontóloga
Terapeuta de Família e Casal
Especialista em Saúde da Família e em Violência
swbs@uol.com.br
(71) 9983-4986 - Salvador - BA - Brasil




sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Manifestação sobre a minuta da Resolução

Tenho acompanhado a discussão em torno “das Práticas terapêuticas ou clínicas” no âmbito da atuação do assistente social.
Entendo a preocupação do CFESS em relação à sua responsabilidade de fiscalizar todas essas práticas e por isso parece defender uma posição de cerceamento, impossibilitando estes profissionais de buscar outras formas de ampliar sua ação profissional.
Tenho algumas questões e gostaria de colocá-las para que possam contribuir com o debate.
Trabalhei durante 30 anos como assistente social. Inicialmente, na década de 80, em movimentos sociais, centros comunitários, Cebs (Comunidades Eclesias de Base), e posteriormente, no Ministério da Saúde, em Postos de Saúde e em Hospitais. Atendi pessoas individualmente, em grupos e famílias em diferentes situações de dificuldades e conflitos e foi um aprendizado importante para a minha vida pessoal e profissional.
Após a minha aposentadoria, resolvi aproveitar e ampliar estes conhecimentos e estas experiências e busquei um curso de especialização em Terapia Familiar Sistêmica.
Hoje me nomeio Assistente Social e Terapeuta Familiar, porque sou o resultado das construções que fui fazendo ao longo da minha vida.
Aqui vai um esclarecimento que acho de suma importância para o nosso debate: hoje eu ocupo a função de Terapeuta Familiar nas ações que exerço. Portanto “Práticas Terapêuticas ou clínicas” são atribuições da Terapeuta Familiar e não da Assistente Social.
E minha questão é a seguinte: cabe ao CFESS, ou aos CRESS nas regiões, fiscalizar as minhas ações? Será que os conselhos regionais dos fonoaudiólogos, dos psicopedagogos, dos médicos, etc, com especialização em Terapia familiar são fiscalizados pelos seus conselhos da profissão de origem?
Como isso acontece no mundo? Quantos Assistentes Sociais Terapeutas Familiares existem e que dão uma grande contribuição através de sua prática, artigos, seminários e livros?
Portanto, proponho que o CFESS continue cuidando deste espaço profissional do Assistente Social que acho de grande importância mas não limite a busca de outras possibilidades, pois este profissional tem o direito de buscar especializações que tenha a ver com o seu campo de saber e muito a contribuir com outras esferas do conhecimento, ampliando sua ação profissional.

Maria Neuza de Faria Ferreira Lima - CRESS 6317

Manifestação sobre a minuta

Contribuições

Há questões especiais que envolvem a formação dos membros de diferentes profissões com suas vantagens e dificuldades.

Os Assistentes Sociais têm como vantagens o conhecimento que possuem dos sistemas sociais e no fato de estarem profundamente conscientes das necessidades práticas das famílias.
Aprenderam como obter recursos quando as famílias deles necessitam e tem experiência com famílias de diferentes recursos sociais, culturais, economicos, emocionais.

Só para ilustrar nos Estados Unidos a maior parte das terapias de família são conduzidas pelos Assistentes Sociais assim como na Europa e Austrália. Nesta última Michael White, assistente social, desenvolveu também um trabalho com os aborígenes .

Como seria possível um curso de graduação dar conta de ensinar todas as possibilidades de uma profissão? O conhecimento, sendo alcançado socialmente, muda e se renova a cada momento da interação, seja entre famílias, profissionais, campo de trabalho, etc.

A terapia é um evento linguístico que ocorre no que chamamos de conversação terapêutica e esta é uma busca e uma exploração mútua pelo diálogo, uma troca de mão dupla, um entrecruzamento de idéias no qual novos sentidos estão continuamente evoluindo.(Gergen,K.J).

O interesse da população está sendo garantido quando o profissional que se dispõe a trabalhar com ela se prepara para o novo que se apresenta no dia a dia de uma sociedade. Assim esperar que após a sua inscrição em um conselho isto esteja garantido é simplesmente desconsiderar as questões que se apresentam através da prática e que devem encontrar pressupostos teóricos que delas se ocupem.

Cabe uma pergunta: Qual é o sentido de uma mudança tão drástica, que exclui os que há anos ajudaram a legitimar a profissão?

O sentido e o entendimento são construídos socialmente. Nós não alcançamos ou possuímos um sentido ou um entendimento, até realizarmos uma ação comunicativa, ou seja, envolvemo-nos em um dialogo ou discurso gerador de sentido dentro de um sistema para o qual esta comunicação é relevante.

Lembrando novamente do assistente social Michael White, trago para este texto:
-são as histórias nas quais situamos nossas experiências que determinam o sentido que damos à experiência.
-São estas histórias que determinam a seleção daqueles aspectos da experiência a serem expressos.
-São estas histórias que determinam a forma de expressão que damos aqueles aspectos da experiência.
-São estas histórias que determinam os efeitos e as direções reais de nossas vidas e nossos relacionamentos.

Se ainda existem tantas questões e tantos que questionam tal resolução, qual o sentido de continuar impingindo um parecer que poderia ser matéria de ampla discussão e que poderia trazer maiores benefícios para os profissionais Assistentes Sociais.
A terapia de família amplia o campo de trabalho, é legitima , não é privativa de qualquer outra profissão e possui requisitos para os que se especializam que estão em conformidade com as Associações Regional e Brasileira de Terapia Familiar.
Não defendemos os aventureiros e sim aqueles que buscaram e buscam o conhecimento e o aplicam a sua prática.

Maior contribuição seria, convidar os Assistentes Sociais Terapeutas de Família, como Ada Pelegrini Lemos, Sandra Fedullo Colombo, Maria Amália Vitale, Rosana Galina, Ivone Bertin, Margarida Rego, Beatriz Ricci e outros para um amplo debate, que com certeza acrescentariam outros pareceres sobre pontos desta minuta.


Eliete Belfort Mattos

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Manifestação sobre a minuta

Meu desejo era poder argumentar de forma mais ampla acerca das tantas implicações que o posicionamento do conjunto CFESS/CRESS assume frente às denominadas práticas terapêuticas, presentes no agir de uma parcela significativa dos assistentes sociais brasileiros.

Todavia, em razão dos meus limites próprios neste momento bem como os da conjuntura, farei uma reflexão menos extensa e focada na questão da LIBERDADE. No meu entender, a idéia de liberdade suscita um debate polêmico, porém necessário. Afinal, a liberdade enquanto valor ético assume importância central na nossa Ética Profissional.

Tenho claro que a liberdade não pode ser vislumbrada separada de outros valores éticos, que se traduzem na regulamentação, ou seja, nos parâmetros que histórica e socialmente a profissão delimitou e que se corporificam no nosso Código de Ética.

Por isso, não posso negar os avanços ocorridos nos últimos anos os quais configuraram o que chamamos de “Projeto Ético-Político”. Venho acompanhando os esforços no sentido de que este projeto se consolide e não sou contrária a isso, nem poderia, pois não estaria sendo leal à minha própria história na profissão – cujos contornos não cabe aqui detalhar.

Acompanhei – num momento muito significativo da minha vida – parte do avanço teórico (e por que não dizer filosófico) que o Serviço Social vivenciou através de intelectuais sérios e comprometidos com o aprimoramento da profissão. Os estudos e pesquisas que pude acompanhar eram efetuados com respaldo teórico-metodológico; enfim, foram frutos de uma acurada atividade de pesquisa.

Nesse sentido, e não podendo evitar comparação, deparei-me com um “estudo” efetuado pelo conjunto CFESS/CRESS acerca do chamado “Serviço Social Clínico” o qual não representa o que eu conheço e reconheço como prática terapêutica dentro do Serviço Social. Saliento ainda que sou uma profissional que não defende uma possível retomada do Serviço Social Clínico. Defendo que as práticas terapêuticas estejam subsumidas a um projeto e/ou programa mais amplo o qual contemple os objetivos do nosso projeto de profissão.

A Associação dos Assistentes Sociais e Psicólogos do Tribunal de Justiça de São Paulo, da qual faço parte, encaminhou documento ao CFESS questionando os fundamentos de tal estudo e a resposta ficou aquém do que eu esperava.

Fico então com a seguinte indagação: como a LIBERDADE pode ser balizada (e defendo que deva ser) de forma eticamente responsável, se um estudo que serve de base para reflexão e deliberação quanto aos limites da atuação profissional carece de profundidade e de uma fundamentação teórico-metodológica? Este “estudo” não me convenceu. Eu me sinto ferida no meu direito de agregar conhecimentos de áreas afins, se a “proibição” não for teórica e metodologicamente embasada.

Recuo no meu posicionamento se perceber que o trato desta questão for efetivamente responsável e competente teoricamente.

Sei que tenho deveres éticos com a minha profissão e que eles são balizados a partir de uma conjuntura histórica e política. Mesmo correndo o risco de ser redundante, quero salientar que reconheço no conjunto CFESS/CRESS a autoridade para limitar meu agir profissional, inclusive com os pressupostos teóricos que hoje fundamentam o que se chama de corrente hegemônica na profissão. Por isso meu espanto com a falta de profundidade teórica no trato desta questão, pois sei que os sujeitos que protagonizaram o refinamento teórico e metodológico que o Serviço Social hoje apresenta sempre me pareceram comprometidos com o cuidado e rigor teórico.

Claudia Maria G. Nery Zamboni

Campinas-SP

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Comunicação Sindicato

SINDICATO DE ASSISTENTES SOCIAIS DE PERNAMBUCO - SINDASPE
CNPJ: 11.735.461/0001-29
Endereço : Movimento dos Trabalhadores Cristãos (MTC)
R- Gervásio Pires, 404 – sala 03 - Boa Vista.
Cep: 50050-070 Fones:3221-8267 e 8668-7763 sindaspe@gmail.com
Recife, 19.08.09


CE nº17 2009/ CG

Ref.: Resolução Contrária do CFESS aos Assistentes Sociais nas Práticas Terapêuticas


Chamamos a atenção de toda a categoria, independentemente de filiação, para uma questão por demais preocupante: a redução de nosso espaço de atuação profissional pelo nosso próprio Conselho Federal.

Foi inclusive um encaminhamento tirado em nossa ultima Reunião Ordinária a divulgação da discussão para o maior numero possível de colegas, guardadas as devidas limitações de nosso reduzido numero de contatos; com isso lhes solicitamos mais uma vez, a socialização o mais possível, pois este tema será tratado no encontro CFESS / CRESS, em setembro próximo.

Sendo assim mais se faz necessário a apropriação do assunto e devida reflexão pela categoria, até mesmo porque não soubemos se ouve, e quando, a discussão aqui em Pernambuco sobre a Resolução do CFESS contrária a inserção de Assistente Social nas Práticas Terapêuticas. E do mesmo jeito que não tomamos conhecimento muito provavelmente a grande maioria de nossas colegas desconhecem; até mesmo quem atua dentro da área de saúde.

Em anexo seguem:

* o Parecer Jurídico nº11/09 do CFESS
* a Representação de Assistentes Sociais Especialistas em Práticas Terapêuticas.

Para subsidiar o debate acessem o site do CFESS www.cfess.org.br e o blog praticasterapeuticas.blogspot.com.

O assunto certamente deverá ser abordado em nosso CONFENAS, dias 20 a 23 de novembro em Brasília / DF.

Desejamos-lhes uma boa leitura e um suave despertar para questões que a muito nos angustiam e sobre as quais não sabíamos com quem conversar.

Diretoria do SINDASPE,

Zenilda Lima
Nadja da Silva
Jovelina Souza
Silvia Silva

segunda-feira, 17 de agosto de 2009


From: vicente <>
Date: 2009/8/15
Subject: Re: Informativo “Práticas Terapêuticas”
To:


Prezadas
Como não tenho voz no CRESS 17 envio um anexo com comentários à Ementa de Resolução de Vedação de Práticas Terapêuticas para alguém encaminhar ao CRESS com um carta própria.
Um abraço
Vicente Faleiros


Comentários à vedação de práticas terapêuticas.docComentários à vedação de práticas terapêuticas.doc
29K Exibir como HTML Abrir como documento do Google Baixar



Considerações sobre a Ementa de Resolução sobre Vedação de utilização de práticas terapêuticas por parte do CFESS


Considerações Gerais

Trata-se de uma ementa que contraria o artigo 1º da Lei 8662/93 que estabelece que “é livre o exercício da profissão de assistente social..., observadas as condições estabelecidas nessa Lei”. Ora, não há proibição na referida Lei do exercício de práticas terapêuticas ou clínicas. A Ementa de Resolução citada, contraria portanto, a própria Lei.


No Código de Ética Profissional não há nenhuma menção que contrarie o exercício de prática terapêutica ou clínica por parte dos assistentes sociais.


Na História do Serviço Social está enraizada a prática terapêutica e a definição internacional a contempla. O CFESS não pode abolir a história onde surge inclusive o nome da assistente social Virginia Satir fundadora da prática terapêutica com famílias. O Brasil quer ser uma exceção, por que?


Qual o fundamento teórico de se excluir essa prática do âmbito da profissão? A ementa não faz referência a nenhuma definição teórico-prática da profissão, sendo vazia de referências ao corpus que define a profissão. Assim trata-se de uma ementa pobre e até mesmo estranha à profissão.


A ementa contraria o que milhares de assistentes sociais vêm fazendo no Brasil, em especial no âmbito da saúde mental e do trabalho com famílias, revertendo uma conquista, inclusive diante do chamado “ato médico” que quer monopolizar todo ato terapêutico.


A expressão terapia ou clínica é usada por várias áreas do conhecimento como educação, sociologia, filosofia, antropologia, psicologia (que não é só clínica), odontologia, dentre outras.


A ementa restringe o campo de ação dos profissionais de serviço social, proibindo experiências importantes como terapia comunitária exercida por inúmeros profissionais.


A opção por um atendimento clínico é uma vertente teórico-prática que corresponde à forma do exercício profissional previsto no inciso V do Art. 4º da Lei 8662/93 para se fazer a intervenção profissional. A ementa está vedando a opção teórica do profissional, seu direito de escolha do método e o direito do usuário de ser bem atendido. A ementa fere a ética profissional e o direito do usuário.


Considerações específicas sobre os “Considerandos”


O postulado de que um profissional só deva exercer suas competências privativas se fundamenta numa visão diminuta do exercício profissional, torna o mesmo rígido e esquece o movimento da história, da dinâmica real das lutas de saber e poder e da construção de competências no processo de formação.


O postulado de que uma profissão só limita ao que diz a lei explicitamente esquece que a lei dá uma orientação geral e que até agora ninguém questionou, diante da lei, o exercício de práticas terapêuticas por parte dos assistentes sociais. Se ninguém questionou porque o CFESS questiona? Quais os interesses de uma organização profissional dar um tiro no próprio pé?


A formação profissional do assistente social é generalista, colocando-o com possibilidades de trabalhar as questões sócio-individuais com competência, como se faz na prática clínica que não isola o sujeito da sociedade e nem a sociedade do sujeito. O trabalho dos vínculos do sujeito em suas múltiplas dimensões é objeto do currículo generalista, mas existem inúmeras especializações. O CFESS deve respeitar as especializações, que são um direito inalienável da pessoa humana e dos profissionais que aprendem ao longo da vida. A ementa nega o processo de formação continuada.


A proposta de ementa é repressiva sobre o profissional, jogando em cima dele um acervo de punições, e não é defensora dos direitos do usuário. Se fosse defensora dos direitos do usuário recomendaria uma formação adequada complementar à de generalista para poder contribuir com a superação das situações opressivas vividas pelos sujeitos sociais.


Conclusão


Trata-se de uma proposta de ementa contrária à própria Lei 8862/93, contrária ao Código de Ética, contrária à liberdade de exercício profissional e contrária à defesa dos direitos dos usuários que deve ser rejeitada por completo.


Brasília, 15 de agosto de 2009


Prof Dr Vicente de Paula Faleiros

O DEBATE SOBRE O SERVIÇO SOCIAL CLÍNICO DENTRO DA SAÚDE MENTAL

Rui Junio Fonseca dos Santos*

*Assistente Social formado pela Universidade Federal Fluminense – UFF, juniocn@gmail.com.

RESUMO:

Este artigo científico realizará um debate a respeito do Serviço Social Clínico dentro da saúde mental e a posição do Conselho Federal do Serviço Social frente à intervenção terapêutica do assistente social. Ainda há muito que se debater a cerca desse assunto, pois em diversas circunstâncias do cotidiano profissional tem-se a necessidade de responder as demandas dos usuários não somente em uma perspectiva sociológico-político, mas também em uma via psicossocial, que considerará a subjetividade do homem ponto fundamental para a prática dentro da saúde mental.
PALAVRAS-CHAVES: Serviço Social Clínico, Saúde Mental, Prática Terapêutica.

ABSTRACT:

This scientific article will inside carry through a debate regarding the Clinical Social Service of the mental health and the position of the Federal Advice of the Social Service front to the therapeutical intervention of the social assistant. Still it has much that if to debate about this subject, therefore in diverse circumstances of the daily professional has it necessity to not only answer the demands of the users in a perspective sociological-politician, but also in one it saw psicossocial, that will consider the subjectivity of the man inside basic point for the practical one of the mental health.
KEYS WORDS: Clinical Social Service, Health Mental, Practical Health Therapeutical


INTRODUÇÃO:

Esse artigo científico é resultado da minha inquietação a cerca da decisão do Conselho Federal de Serviço Social – CFESS em negar o Serviço Social Clínico e a prática terapêutica.
Essa decisão foi uma dura resposta na tentativa dos profissionais brasileiros defensores desse campo de atuação do Serviço Social de consolidar sua prática e legitimar o âmbito clínico profissional como em outros países, inclusive latino-americanos, que já possuem legitimada tal prática terapêutica como competência do assistente social.
Nesse artigo será apresentada a participação do assistente social na saúde mental. Um campo cada vez mais aberto para sua intervenção, pois a profissão levará a sua visão de humanização e o compromisso com os usuários como defende a Reforma Psiquiátrica.
A prática terapêutica realizada por assistentes sociais especializados em psicanálise ou em terapia familiar (como exemplo) são fundamentais para a intervenção profissional no campo da saúde mental, pois possibilita o assistente social entender e atuar na subjetividade do homem.
Como a perspectiva sociológico-político não possibilita alcançar de fato a compreensão da subjetividade do ser humano faz-se necessário o profissional buscar outra via. Nesse caso a especialização em abordagens psicoterápicas possibilita contemplar a subjetividade humana necessária para atuar na saúde mental.
Começo o artigo científico realizando uma breve contextualização do Serviço Social Clínico com o objetivo de levar o leitor a compreender a gênese dessa prática terapêutica através do assistente social. Foram usados autores como Rodrigues (2009) e Soares (2006). Posteriormente, estarei abordando a necessidade de se ter o Serviço Social Clínico após a Reconceituação e sua abordagem na saúde mental. Foram utilizados autores como Faleiros (2002) e novamente Rodrigues (2009).


Uma breve contextualização do Serviço Social Clínico

A intervenção terapêutica pelo Serviço Social transpassa ao longo de sua história com fortes influências das ciências comportamentais. Um dos primeiros contatos da profissão com essa área se deu nos Estados Unidos da América – EUA no início do século XX, quando os assistentes sociais auxiliavam os psiquiatras nas instituições de saúde mental.
A atuação do Serviço Social nos hospícios dos EUA tinha uma definição muito clara estando relacionada na melhoria de vida dos institucionalizados e na preparação do retorno dos pacientes a vida social. A ação profissional não se limitava somente a isso, pois tarefas como coletas de dados socioeconômicos e investigação hereditária eram atribuições dos assistentes sociais. (SOARES, 2006).
A influência da psicanálise foi crucial para o Serviço Social desenvolver sua prática profissional tanto nos EUA quanto no Brasil. O próprio criador dessa ciência (FREUD) citou a importância da intervenção da profissão, que ele considerava um forte aliado.
“Será demasiado fantástico esperar que a Psicanálise, apesar das suas finalidades possa estar destinada à tarefa de preparar a humanidade para tal corretivo? Talvez um norte americano tenha a idéia de gastar algum dinheiro, para que os Assistentes Sociais do seu país sejam formados analiticamente, para transformá-los grupo de auxiliares a fim de combaterem as neuroses da civilização”. RODRIGUES apud FREUD, Sigmund (1926, p. 282)

No Brasil durante as décadas de 1940 a 1960, os assistentes sociais brasileiros tiveram uma formação com influência da psicanálise, do funcionalismo e do desenvolvimentismo. Isso possibilitou abordagens individuais e grupais. Segundo Rodrigues (2009), esse período possibilitou a construção do método psicossocial para uma melhor compreensão da problemática social. Criou-se o Serviço Social de Caso, Grupo e Comunidade que possibilitou o desenvolvimento da profissão.
O Serviço Social de Caso visava adaptar o indivíduo ao seu meio; o de Grupo tinha como objetivo “ajudar” as pessoas pelas experiências em grupo; e o de Comunidade trabalhava em uma perspectiva de organização de comunidade sob forte influência do desenvolvimentismo. (BISNETO, 2007).
Em busca de romper com uma teoria e uma prática considerada conservadora surge o Movimento de Reconceituação na década de 1970 espalhando-se pela Academia. No entanto, esse movimento só passou a ter grande força na década seguinte quando o país estava próximo do fim da ditadura.
Segundo Netto (2005), no período da ditadura militar, o Movimento de Reconceituação no Brasil e na América Latina perdeu fôlego, pois trazia em si perspectivas democráticas. Por isso, Netto diz que a Reconceituação permaneceu inconclusa neste período, estando viva esta chama da transformação da profissão dentro das academias.
Porém, quando houve o processo de reabertura política e a erosão da ditadura o Movimento de Reconceituação novamente ganhou fôlego, sempre apontando para uma crítica radical à prática conservadora da profissão.
Com isso, em 1979, tem-se a reforma curricular das disciplinas no curso de Serviço Social, que foi somente implementada em 1982. Tais mudanças defendiam uma formação crítica e comprometida com a transformação social, tendo uma perspectiva de articulação entre teoria-história-metodologia-pesquisa, desmontando assim, a estrutura conservadora de um Serviço Social de caso, grupo e comunidade.
Com o Movimento de Reconceituação imperou a visão sociológico-político dentro do Serviço Social suprimindo a metodologia psicossocial inclusive dentro da Academia, exceto a Psicologia Social. Retirando do assistente social a formação psicossocial
A efervescência do Movimento de Reconceituação transpassou por toda década de 1980, proporcionando que a categoria profissional tivesse uma nova perspectiva diante do contexto político, econômico e social sob uma ótica crítica proporcionada pela leitura marxista na academia e nos encontros de Serviço Social. Houve ainda uma maioridade intelectual dentro da profissão com muitas produções literárias para a categoria em uma perspectiva crítica, fruto do Movimento de Reconceituação, tendo grande influência de Marx e Gramsci.
Se no Serviço Social conservador os profissionais atendiam aos interesses burgueses (portanto, atendia aos interesses da classe dominante) no Serviço Social considerado crítico, que teve sua gênese no Movimento de Reconceituação, percebeu-se que não poderia existir, por parte dos assistentes sociais, uma neutralidade, ou seja, era necessário optar por se comprometer por uma delas. Neste caso o comprometimento foi com a classe subalterna.
Cria-se assim, uma nova identidade político- ideológico, que possibilitará uma prática profissional compromissada com os usuários e associada à teoria, estabelecendo uma nova metodologia para a categoria.
Deste modo, a prática conservadora da profissão, que estava baseada nos moldes funcionalista será superada por um Serviço Social mais crítico, que rompe com a idéia de perfectibilidade humana e da culpabilização do indivíduo inserida na ideologia funcionalista, propondo uma concepção voltada para a emancipação humana na defesa dos direitos sociais e da cidadania, e estabelecendo assim, uma prática comprometida com o usuário.
“Esses profissionais afirmaram o compromisso com os direitos e interesses dos usuários, da defesa da qualidade dos serviços prestados, em contraposição à herança conservadora do passado”. (IAMAMOTO, 2007, p.166).

O Serviço Social Clínico Pós Reconceituação dentro da Saúde Mental

Como foi analisada anteriormente, com a Reconceituação a formação e a prática do Serviço Social rompeu com a visão psicossocial focalizando-se na perspectiva sociológico-político. Deste modo, a meu ver retirar essa via de intervenção da profissão limita sua prática e diminui sua qualidade, pois sem a concepção psicossocial o assistente social não contemplará a subjetividade do ser humano. Segundo Faleiros (2002), descartar a subjetividade é descartar o ser humano.
Para darmos continuidade sobre esse debate faz-se necessário entendermos melhor o conceito de Serviço Social Clínico. Desta forma, segundo Seixas (2008), o Serviço Social Clínico corresponde a uma área da profissão que envolverá aspectos genéricos, metodológicos, princípios éticos e um tratamento psicossocial, buscando o entendimento do comportamento humano, das desordens mentais, das relações interpessoais, da dependência química e da violência interpessoal. Sua intervenção constitui-se nas situações de crise e exclusão social, assim como na prevenção das disfunções de ordem bio-psico-social.
O Serviço Social Clínico já é reconhecido e legitimado pelos órgãos responsáveis pela profissão em diversos países, inclusive na América Latina e a ação terapêutica do assistente social nestes países é comum. Enquanto no Brasil, o Conselho Federal do Serviço Social (CFESS) ainda não reconhece e nem legitima tão prática profissional, que em outros países estão consolidadas. Com isso, no Brasil os profissionais de Serviço Social Clínico encontram-se à margem da legitimação.

“É notório que o Serviço Social Clínico é reconhecido e valorizado em todo o mundo, onde a prática acontece de forma legítima, mas no Brasil, as práticas terapêuticas do assistente social não são legitimadas, necessitando do necessário e devido reconhecimento oficial, a partir do aval do Conselho Federal de Serviço Social”. (RODRIGUES, 2009, p. 5)

Hoje o currículo acadêmico do Serviço Social não concede ao futuro profissional ter uma verdadeira formação para trabalhar com a subjetividade humana, sendo extremamente necessária para sua intervenção no âmbito da saúde mental.
O campo clínico dentro da saúde mental também é do Serviço Social desde seu nascimento como profissão, como vimos anteriormente, e após a Reforma Psiquiátrica isso veio se consolidar. A atuação do assistente social na saúde mental, geralmente acontece dentro de uma equipe multidisciplinar ou interdisciplinar, que é muito importante, pois a profissão contribui com sua visão de humanização e do seu compromisso com os usuários tanto para os profissionais com que ele trabalha quanto para o usuário que esse profissional atende.
A intervenção do assistente social no âmbito da saúde mental está relacionada a:
- Reinserção Social e familiar;
- Qualidade de vida;
- Promoção de saúde;
- Ampliação e Consolidação da cidadania
- Abordagens em grupo;
- Aconselhamento

Partindo desse pressuposto a perspectiva do Serviço Social Clínico entra de acordo com a atuação do assistente social dentro da saúde mental. Portanto, se levará em conta sua subjetividade possibilitando uma intervenção psicossocial muito importante para imprimir na prática qualidade.
Limitar-se a uma atuação na visão sociológico-político não contemplará a necessidade do usuário de saúde mental que demanda para o Serviço Social, portanto, empobrece a intervenção profissional e fere a possibilidade do assistente social dialogar com outras teorias reprimindo o pluralismo.
Deste modo, afirmo que o Serviço Social necessita ter uma intervenção terapêutica, conseqüentemente, afirmo que diante dos campos da saúde mental e também da família é necessário a existência do Serviço Social Clínico.
Faz-se necessário então, o assistente social se especializar para melhor intervir diante desta demanda. Muitos profissionais vão buscar na psicanálise e na terapia familiar arcabouço teórico para responder estas demandas com qualidade.
Assim, esses profissionais irão utilizar-se de instrumentos e de metodologia do âmbito da psicoterapia realizando um diálogo com a teoria sociológico-político construindo o Serviço Social Clínico.
Devemos entender que a perspectiva sociológico-político não precisa e nem deve ser descartada, pois levará o profissional ter uma visão e uma atuação crítica. O que defendo é a não extinção pelo CFESS da perspectiva terapêutica da profissão que é muito válida, sobretudo em determinados campos de atuação do assistente social. Sendo que em diversos países inclusive os da América Latina já reconhecem tal prática que é reconhecida pela Federação Internacional de Assistentes Sociais, da qual o CFESS é membro.
Com isso não falo de modismo, mas sim de estarmos unidos para construir de fato uma melhor prática dentro desta área que é também do Serviço Social. Assim como aconteceu no período da Reconceituação.
Segundo CFESS (2009):

“Não obstante, existem psicanalistas que têm formação acadêmica em outra áreas de profissões regulamentadas, o que lhes permite atuar nos dois campos, de forma distinta, desde que, para o exercício da atividade regulamentada, estejam devidamente registrados nos seus órgãos respectivos de fiscalização e que não misturem ou sobreponham as duas atividades, inclusive, em relação ao espaço físico para o desempenho das atividades, que devem ser absolutamente, distintos”.

Acredito que neste tempo precisamos estabelecer um profundo diálogo com profissionais de outros países que atuam dentro do Serviço Social Clínico buscando contribuições para amadurecer essa questão dentro da categoria, pois não acredito que seja o melhor a separar atividades de assistentes sociais e dos profissionais de Serviço Social especializados, por exemplo, em psicanálise, mas defendo um diálogo entre as duas perspectivas para elaborar de fato um Serviço Social Clínico, que responda as demandas de fato da saúde mental.
Uma das grandes oposições ao Serviço Social Clínico está na defesa de que ele não é politizado e que se preocupa com o bom funcionamento dos indivíduos dentro do sistema capitalista, portanto, se reduz a uma prática conservadora retrocedendo o período anterior da Reconceituação.
Segundo Faleiros (2002), pode-se ter um Serviço Social Clínico politizado e democrático e não ter um Serviço Social sociológico-político que não seja politizado e sim autoritário.
A defesa dos direitos pode ser realizada em uma orientação social de formas diversas, portanto, Faleiros (2002) argumenta que se pode atender e defender direitos até mesmo em uma abordagem clínica, pois o clinicar corresponde a uma forma de cuidar e orientar assim como uma interação entre o usuário e o profissional. Então se estabelece uma relação entre sujeito e sujeito reprimindo um possível autoritarismo.
O assistente social dentro do campo da saúde mental estará intermediando as relações sociais e interpessoais, assim como suas repercussões: como os conflitos, as angústias, o sofrimento, a alegria e as vitórias. Essa realidade mostra a necessidade de saber lidar com o comportamento do homem e sua subjetividade, que não implicará em uma abordagem conservadora pelo contrário isso possibilitará uma emancipação humana utilizando-se das técnicas e metodologias tanto da visão sociológico-político quanto da perspectiva psicossocial.

“(...) penso agora que na prática do Serviço Social seja possível o exercício da terapia e da clínica não só em articulação com a política, mas como uma política de fortalecimento do usuário no exercício de seus direitos, uma alternativa de orientação social, como prevê a Lei de Regulamento da Profissão”. (FALEIROS, 2002, p. 7)

Através de uma prática terapêutica o Serviço Social Clínico pode contribuir para a autonomia e no fortalecimento individual ou coletivo dos usuários como no caso dos dependentes químicos.
Deste modo, acredito que somente com uma prática profissional sociológico-político não é suficiente para atender verdadeiramente as demandas que vem para o Serviço Social dentro de uma instituição de saúde mental, pois a subjetividade humana precisa ter uma atenção especial. Daí a necessidade de se ter um Serviço Social Clínico em que o assistente social se especializa em uma abordagem psicoterápica como a psicanálise e a terapia familiar.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O Serviço Social Clínico não é algo recente como pode ser analisado neste artigo científico. A psicanálise esteve muito presente tanto no Serviço Social dos Estados Unidos América quanto no do Brasil. Esta é uma realidade marcante na gênese e na história da profissão, porém, renegada após a Reconceituação.
A Reconceituação trouxe para o Serviço Social mudanças importantes, pois buscou o rompimento com a teoria e com a prática conservadora e estabeleceu na profissão uma perspectiva sociológico-político, que foi construída dentro das teorias de Karl Marx.
A partir desta nova visão que a Reconceituação apresentou e que se consolidou entre os assistentes sociais se teve um distanciamento da subjetividade humana. Esse distanciamento trouxe para o Serviço Social certas limitações, pois em determinados campos como o da saúde mental e o da família entender a subjetividade do homem é essencial para uma intervenção de qualidade.
Deste modo, faz-se necessário os profissionais de Serviço Social dialogar com outras teorias para atender essa necessidade. Diante desta realidade, muitos profissionais buscam em especializações como a psicanálise e a terapia familiar a melhor forma de trabalhar com a subjetividade do homem.
A prática terapêutica, ou seja, o Serviço Social Clínico não pode deixar de ser competência dos assistentes sociais, pois áreas como o da saúde mental precisam da presença dos profissionais de Serviço Social. Em contra partida é importante esse profissional saber lidar com a subjetividade do homem.
Não quer dizer que com uma prática terapêutica os assistentes sociais não estarão garantindo direitos e nem promovendo a emancipação humana. Pelo contrário, através da atuação do Serviço Social Clínico trabalhando com a subjetividade humana o usuário, sobretudo da saúde mental pode-se ter sua emancipação humana.
Como disse Faleiros (2002), pode se ter uma atuação dentro da perspectiva do Serviço Social Clínico que promova direitos e a emancipação humana e não ter uma atuação profissional dentro da perspectiva sociológico-político que não faça tal emancipação e nem a garantia de direitos.
Deste modo, estabelecer um diálogo entre a perspectiva do Serviço Social Clínico e a perspectiva sociológico-político contribuirá para o enriquecimento da atuação profissional dentro da saúde mental, pois ambas as perspectivas trarão para os assistente social conhecimentos necessários para responder as demandas trazidas pelos usuários.
Dialogar com outros países que já possui legitimada a prática terapêutica como os países latino-americanos são fundamentais para o amadurecimento desse campo do Serviço Social, que volto afirmar como competência do assistente social.
Enfim, tem-se um caminho árduo para consolidar tal prática, mas um caminho necessário, pois o Serviço Social perderá muito com a negação da prática terapêutica do Serviço Social.


OBRAS CONSULTADAS

BISNETO, José Augusto. Serviço Social e Saúde Mental: uma análise institucional da prática. São Paulo: Cortez, 2007.
CFESS, Parecer Jurídico N.º 11/09 sobre Práticas Terapêuticas. Disponível em http://www.cfess.org.br/praticas.php. acessado em 2 de agosto de 2009.
FALEIROS, Vicente de Paula. Reconceituação do Serviço Social no Brasil: uma questão em movimento? . Serviço Social & Sociedade, São Paulo: Cortez, n.84, 2005, p. 21-36.
________. Vicente de Paula. Pode existir um Serviço Social Clínico?. 2002. Arquivos Serclinico. Disponível http://br.groups.yahoo.com/group/serclinico/ em Acesso em: 18 dez. 2008.
IAMAMOTO, M. Renovação e Conservadorismo no Serviço Social. 7.ed. São Paulo: Cortez, 2004, 216p.
______. As dimensões ético-políticas e teórico-metodológicas no Serviço Social contemporâneo. In: Serviço Social e Saúde: formação e trabalho profissional. São Paulo: Cortez, 2007.
NETTO, J.P. O Movimento de Reconceituação – 40 anos depois. Serviço Social & Sociedade, São Paulo: Cortez, n. 84, 2005, 200p.
RODRIGUES, José Manoel de Souza. Serviço Social Clínico. Disponível em http://praticasterapeuticas.blogspot.com/search?updated-max=2009-07-03T23%3A58%3A00-03%3A00&max-results=7 Acessado em 1 de agosto de 2009.
SEIXAS, S.M. Definição de Serviço Social Clínico. Disponível em Acesso em: 11 nov. 2008.
SOARES, Adriana de Oliveira. Serviço Social e Saúde Mental: a formação de uma prática ou uma prática em formação? – Rio de Janeiro. 2006. Dissertação de Mestrado. PUC – RJ.
VASCONCELOS, E.M. Saúde Mental e Serviço Social: o desafio da subjetividade e da interdisciplinaridade. São Paulo: Cortez, 2000.

Práticas Terapêuticas em Debate





Atendendo a uma demanda histórica da categoria, o conjunto CFESS/CRESS vem realizando debates sobre a polêmica criada em torno das Práticas Terapêuticas e o Serviço Social.
Assim, o CRESS-Ba realizará uma mesa redonda sobre este tema, com a presença de:

Elizabeth Borges

Assistente Social, vice-coordenadora do Colegiado do curso de Serviço Social da UFBA

Maria Joaquina Moura

Assistente Social e membro da Associação Regional de Terapia Familiar

Marcus Vinicius de Oliveira

Psicólogo e professor do Instituto de Psicologia da UFBA

Dia: 20 de agosto de 2009 (5ª feira)

Horário: 18:30 hs

Local:Auditório do CRESS (sede)


CONVITE


O CONSELHO REGIONAL DE SERVIÇO SOCIAL - 5ª Região convida os (as) profissionais de Serviço Social para participar de reunião extraordinária da COMISSÃO DE SAÚDE

Data: 18 de agosto de 2009(3ª feira)
Local: sede do CRESS
Horário: 17 h.